COMO AS PESSOAS ESCOLHEM OS CURSOS UNIVERSITÁRIOS:

DIAGNÓSTICO E ANÁLISE PRELIMINAR

 

Coordenador:  Antonio Marcelo Jackson F. da Silva[i]

Autores:  Ana C. Duboc, Camilla D. Côrtes, Daniele Resende, Danielle Diniz, Eliane Flores, Flávia Queiroz, Geraldo da Silva, Janinne da Silva, Marcelo Fusco, Milena Rua, Paulo R. Avelar e Renato L.A. Thomaz[ii]

 

Em 25 de outubro de 2005, os cursos das faculdades vinculadas à Fundação Educacional Dom André Arcoverde realizaram no Centro de Valença o chamado “Dia D”, onde os principais objetivos eram divulgar e estreitar os laços entre a FAA e a comunidade.  Para o caso específico da Faculdade de Ciências Econômicas (FACEV), optou-se pela efetivação de uma pesquisa em que se procurava obter, junto aos entrevistados, um perfil da Fundação e seus cursos (vale informar que o questionário completo e o relatório final estão disponibilizados na secretaria da FACEV e, em breve, estarão disponíveis também no sítio na Internet).  Parte dessa pesquisa perguntava ao entrevistado quais os cursos que ele conhecia, quais as dependências da FAA que utilizava e qual o curso seria escolhido por ele, caso desejasse obter um diploma de terceiro grau.  É com base nesses dados que o presente texto irá se debruçar, tendo como mote a seguinte pergunta:  quais as motivações que levam uma pessoa a optar por este ou aquele curso, tendo como base de análise o conhecimento sobre as opções e o conhecimento sobre as instalações?  Nesse sentido, a opção pelo curso será compreendida como variável dependente, enquanto que os dois outros itens, como variáveis independentes.  Variável dependente é todo resultado ou objeto que se quer analisar e variável independente são os itens que podem interferir nesse resultado.  Dito isto, vejamos alguns casos.

Um primeiro exemplo a ser observado é a Faculdade de Odontologia.  Apesar de ser o quinto curso mais conhecido e de ter a clínica odontológica como sendo a segunda dependência mais utilizada pelos valencianos, a Faculdade em questão ocupa a modesta sétima colocação entre os cursos que espontaneamente as pessoas fariam.  Algo semelhante ocorre com a Faculdade de Medicina Veterinária.  Com alto grau de conhecimento e utilização do hospital veterinário, a mesma ocupa a oitava colocação entre as possíveis opções de curso superior.  Em ambos os casos, podemos pressupor que o uso das dependências não influenciam na escolha das Faculdades, o que significa, em outros termos, a necessidade de uma publicidade maior das mesmas nessas atividades junto à população:  de nada adianta um hospital veterinário ou uma clínica odontológica mantidos por faculdades, mas que, pouco ou nada tornam públicos que tais atividades são ações de professores, alunos e de instituições.

No extremo oposto a estes dois casos encontramos da Faculdade de Direito.  Ocupando a primeira colocação na escolha do curso e a segunda colocação entre o conhecimento sobre os cursos, curiosamente tem suas dependências (Escritório Modelo e PROCON) entre os itens menos procurados e utilizados pela população.  Podemos deduzir que o desejo de se fazer uma faculdade de ciências jurídicas pelos valencianos deve-se muito mais à tradição dos cursos de direito no Brasil do que propriamente à ação e atuação da Faculdade de Direito de Valença.  Assim, a pesquisa indica a urgente necessidade de reformulação dessas dependências, fazendo com que o curso seja mais conhecido pelas suas ações do que simplesmente por uma tradição.

Distinguindo-se dos exemplos anteriores, encontramos a mais absoluta coerência na Faculdade de Medicina.  Terceira colocada no item “grau de conhecimento”, primeira colocada no uso das dependências (Hospital Escola) e segunda colocada na escolha do curso, observa-se que as variáveis independentes interferem diretamente na variável dependente, ou seja, pressupõe-se que um indivíduo em Valença não apenas conhece espontaneamente o curso, mas também, utiliza o Hospital e o vincula à Faculdade.

Quanto aos demais cursos oferecidos pela FAA não foi possível obter dados significativos que nos levassem a uma análise (ainda que inicial), pois as variáveis independentes foram indiferentes aos resultados.

Evidentemente, a presente análise é preliminar, e somente indica pontos que podem e devem ser observados como forma de se ampliar à interação dos cursos da Fundação com a comunidade valenciana.

 

 



[i] Doutor em Ciência Política pelo IUPERJ.  Professor da Faculdade de Ciências Econômicas de Valença (FACEV/FAA).  E-mail:  economia@faa.edu.br

[ii] graduandos em Economia da FACEV/FAA.