Cada Macaco no seu Galho
Gibrhan Taurian[i]
Nossa pobre economia sofre há muitas décadas com a falta de planejamento, preparo e, principalmente, a falta de pessoas bem intencionadas e capacitadas para a condução da política econômica, capazes de separar o jogo político dos interesses maiores do país. Precisamos do “progresso” prometido aos nossos avós, aos nossos pais, a nós e agora aos nossos filhos. O desenvolvimento/crescimento econômico é o remédio contra nossos problemas de desemprego, desigualdade social violência e tantos outros temas que não saem do nosso noticiário.
O dinheiro caro que o consumidor paga no seu crediário, por exemplo, é reflexo direto da política monetária. Os bancos, considerados os vilões de nossa economia – um preconceito muito injustificado – operam debaixo das asas do Conselho Monetário Nacional.
Poderia certamente tomar mais o seu tempo relacionando outros fatores. Mas, nem tudo é desgraça. Nesses últimos anos temos indicadores macroeconômicos mais fortalecidos: a inflação sob controle que beneficia a classe assalariada; a expansão do comércio internacional com reflexos muito positivos em nossa balança comercial; o fortalecimento de nossas reservas em moeda estrangeira (leia-se dólares) etc.
Assim, o “espetáculo do crescimento” poderia ser mais prático e menos pirotécnico; mais agressivo. Temos condições de acelerar o desenvolvimento sendo mais corajosos, já que nossa capacidade ociosa é razoavelmente grande, ou seja, temos condições de apostar mais, investir mais, arriscar mais.
Mas, nessa hora caio na realidade e lembro que normalmente temos outros profissionais no comando da economia, como médicos e advogados. Será que quando temos uma dor de cabeça consultamos um economista? Ou melhor, não seria interessante um Juizado Especial funcionar dentro de uma Faculdade de Economia? Assim, pergunto-me: não seria melhor que cada macaco estivesse em seu galho?
[i] Bacharelando em Economia pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença). Publicado originalmente no Jornal Local (Valença-RJ) em 14 de dezembro de 2006.