A Busca de um Corpo Perfeito

 

Victor Medeiros Henriques[i]

Se levássemos o Estado brasileiro para fazer um “checkup” de sua saúde, provavelmente ouviríamos do médico que o país se encontra na fase da chamada obesidade mórbida e que está na hora de começar a tomar medidas para perder peso.

As centrais sindicais e alguns economistas da linha de pensamento desenvolvimentista defendem que o problema da falta de crescimento do Brasil está na alta taxa de juros, e se esta for reduzida, assim como também for reduzida a carga tributária, o problema estará resolvido, pois consideram que o pleno emprego deve ser perseguido a qualquer custo, mesmo sabendo que essas ações vão resultar em um aumento da inflação.

Na minha opinião o problema da falta de crescimento da economia brasileira está na elevadíssima dívida do setor público e os juros altos e a elevada carga tributária são, na verdade, conseqüências dessa dívida. E assim, como se pode fazer um país crescer cortando seus alimentos? Para o país desenvolver-se é necessário fazer com que sinta menos fome, ou seja, a política econômica deve ser focada em medidas não só para fazer com que essa dívida se estabilize, mas também, em medidas que façam com que ela diminua, tornando possível uma queda na taxa de juros e uma redução de impostos. Torna-se necessário, desse modo, que se busquem medidas para aumentar a eficiências dos gastos do governo e que hoje são divididos da seguinte maneira: 96% das receitas correntes da União são gastos com pessoal e programas como o “bolsa família”, entre outros, e os 4% restantes destinados a investimentos, defesa, saúde etc.

Se for feito como querem os desenvolvimentistas o país não irá perder peso; ao contrário, aumentará sua fome e, no futuro, será necessário aumentar os impostos e os juros para que sua fome seja saciada.

A solução, para isso, como no combate a obesidade, é promover ações que ataquem a causa e não a conseqüência. Não se emagrece deixando totalmente de comer, mas sim, por meio de medidas que junto com a dieta diminuam a fome da pessoa. Assim como, não se reduz os juros e os impostos sem que ocorra uma redução na dívida do governo.



[i] Bacharelando em Economia pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença). Publicado originalmente no Jornal Local (Valença-RJ), em 21 de dezembro de 2006.