O Desenvolvimento Econômico entre a Impunidade e a deseducação

Marcos Afonso de Almeida[i]

 

Ficaremos sim “deitados eternamente em berço esplêndido” enquanto não eliminarmos de nosso cotidiano esses termos tão perniciosos ao desenvolvimento do nosso país.

Não se pode mais conviver com a impunidade que impera na classe política e seus asseclas. As CPI(s) foram tantas e tão emaranhadas que pouco ou nada de concreto foi resolvido. Muitos interesses políticos em jogo, muita gente “graúda” envolvida, muito dinheiro sujo no meio – saiu até na cueca. No final, como sempre, muito “acordo” e muita “pizza” para satisfação dos “pizzaiolos” em plantão em Brasília.

Como resolver o problema da insegurança do cidadão brasileiro? Polícia mal equipada, remuneração irrisória, total desentrosamento entre os órgãos de segurança – civil e militar, estadual e federal. A desorganização dos órgãos de segurança mostra-se incapaz diante da “equipada organização criminosa”, atuante até intramuros dos presídios.

O desemprego continua. Se a economia não cresce como deveria, podemos gerar empregos para absorver os jovens que anualmente ingressam no mercado de trabalho? Carga tributária sufocante, juros elevados e falta de investimento em infraestrutura básica... São fatos que dificultam e desestimulam o investimento privado. Emprego se cria com investimentos e não por decreto e bravatas de palanque.

Como resolver o problema da saúde se o investimento básico da saúde não funciona face à precariedade de hospitais e postos de saúde. Faltam médicos, faltam remédios, faltam leitos, falta definição de responsabilidade... Mas proliferam filas intermináveis. Como sofrem nossos aposentados que tanto trabalharam durante sua vida!

Por fim, temos a deseducação. Aí está o xis de todos os nossos problemas. Sem educação não temos progresso. Pelo mundo afora existem exemplos de países que galgaram níveis elevados de desenvolvimento graças à educação. Montagens de estatísticas demonstrativas de nosso grau de alfabetização não erradicam nosso analfabetismo. Educação séria passa pela capacitação dos professores, salários dignos e métodos efetivos de verificação do ensino-aprendizado. O regime atual de promoção automática mascara, esconde a real capacidade de nossos alunos. Estão se esquecendo de que a grande alavancagem do ensino no Brasil, está em sua base – o ensino fundamental e médio. Por outro lado deve se dar igual prioridade às escolas técnicas que desempenham importante papel na capacitação, qualificação de nossa mão-de-obra, de vital importância para o nosso desenvolvimento.

Povo educado e culto não se presta a “massa de manobra”. Sabe discernir o joio do trigo. Tem consciência de seus deveres e direitos. Cultiva em toda sua plenitude a cidadania e, conseqüentemente, o país desenvolve-se economicamente.



[i] Bacharel em Economia, pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Pós-Graduado em Engenharia de Produção pela SOMLEY (Sociedade Educacional Madeira de Ley). Diretor da FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença).