Os Dilemas da Taxa Básica de Juros

 

Carlos Eduardo O. Silva

e Paulo Sérgio de Souza*

 

Um dos assuntos que mensalmente ocupa os espaços na imprensa é a taxa básica de juros discutida pelo Conselho Diretor do Banco Central do Brasil. Para se ter uma idéia da importância desse índice, é a partir dele que são calculadas todas as taxas cobradas no país, tais como, os juros do cheque especial, empréstimos, juros do cartão de crédito etc., e assim, como um efeito cascata, quanto maior é a taxa básica de juros, mais caro fica tomar dinheiro emprestado, rolar a dívida do cartão, entrar no cheque especial, entre outras coisas.

Porém, por outro lado, essa mesma taxa básica de juros também é responsável pelo rendimento oferecido pelos Títulos da Dívida Pública e a coisa funciona mais ou menos da seguinte maneira: parte do dinheiro que o governo brasileiro deve é transformado em “papéis” e vendido no mercado internacional; a vantagem de se comprar um “papel” desses é receber os dividendos que são calculados pela taxa básica de juros; em outras palavras, quanto maior for a taxa básica, mais se ganha, e, no caso do Brasil (com o índice bem alto), um grande número de investidores estrangeiros aposta seu dinheiro nesse tipo de investimento, ocasionando uma enorme entrada de dólares que temos visto nos últimos tempos. Disso resulta a melhora do status do Brasil no exterior e, vale lembrar, que quem possui status, possui crédito, voz ativa e ganha respeito no mercado internacional.

Frente a isso, vivemos um dilema: o ganho gerado pela alta taxa de juros com os investimentos externos equivale a um alto preço pago por todos nós no dia-a-dia. Quanto mais dólares entram no Brasil e permitem maiores e melhores negócios, gerando de forma direta ou indireta, mais empregos, mais torna-se difícil um cidadão comum tomar dinheiro emprestado no banco ou rolar a dívida de seu cartão de crédito.

Lucro, por um lado, prejuízo, por outro, é nesse dilema que temos caminhado nos últimos tempos em nossa economia.



* Bacharelandos em Economia, pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença).