O Paradoxo do Mercado de Trabalho
Rosalina Maria de Oliveira*
Em uma pesquisa realizada pela Fecomércio (Federação do Comércio do Rio de Janeiro) grande parte dos idosos que se aposentam não param de trabalhar. A pesquisa foi realizada com pessoas com mais de 55 anos, por meio de 442 entrevistas. Desse total, 76,2% das pessoas já estão aposentadas e 23,7% das pessoas aposentadas voltaram a trabalhar; e, além disso, a maioria (55%) não está mais atuando na mesma área na qual trabalhava antes de se aposentar. Resultado diferente do encontrado em 2005, quando 58,2% declararam que ainda estavam trabalhando em sua área de origem.
Por outro lado, quando pensamos no índice de desemprego, este vincula-se quase que diretamente aos jovens, visto que, para cada dois desempregados, um tem menos de 25 anos.
Como podemos pensar esses dois casos: do aposentado que continua atuando e do jovem que não se insere no mercado?
Para os jovens, as principais seria de ordem econômica. O crescimento do país, que deveria ser de 5 a 6% ao ano para poder gerar 2 milhões e 500 mil postos de trabalho, foi inferior a 3% nos últimos dez anos.
A segunda razão está associada ao fato da mão-de-obra não ser bastante qualificada – e isso vincula-se diretamente à educação: No Brasil, de cada 10 jovens, sete estão no mercado de trabalho e não estudam; nos países desenvolvidos, de cada 10, somente 3 trabalham, ou seja, a maior parte está se preparando para obter melhor condição ao disputar uma vaga.
Já para os aposentados a pesquisa indica que a necessidade continua sendo o principal motivo que leva os idosos de volta ao mercado de trabalho. Em 2005, 64,5% dos aposentados que voltaram a trabalhar alegaram necessitar do emprego e, conseqüentemente, desta outra fonte de renda, contra os 72,5% apurados este ano. Entre os entrevistados da pesquisa que voltaram a exercer alguma atividade profissional, 37,5% estão ganhando mais do que o valor da pensão. Percentual bem menor do que os 59,1% registrados no ano passado. Os idosos listaram os gastos que mais consomem sua renda e a alimentação ainda segue liderando o ranking (47,5%), seguido por remédios (23,5%) e aluguel (7,2%).
Assim, falta de qualificação profissional e
necessidade de se manter um certo padrão de vida, alimentam o paradoxo do
mercado de trabalho brasileiro, onde não se consegue entrar (os jovens) e nem
se consegue sair (aposentados) do mundo da labuta diária.