Cartão de crédito- A mais pura Ilusão do Consumidor

Rosalina Maria de Oliveira*

           

            Muita gente se assusta com a fatura do cartão de crédito e fica imaginando como pôde acumular tantos gastos extras no mês, já que na hora de fazer compras, a emoção concorre em igualdade de condições com a razão e, freqüentemente, a sobrepuja, ou seja, supera.

            As compras por impulso, as vezes vistas como gestos irresponsáveis que geram dívidas dolorosas no cartão de crédito, na verdade resultam de um processo químico cerebral que foge à consciência - é o que afirma pesquisa realizada sobre os processos cerebrais associados às decisões de compra do consumidor do século XXI, mesmo quando ele se acha que está sendo guiando pela razão.

            Sendo assim, quando se usa o cartão de crédito, a sensação que o cérebro registra é a de que o produto não custou nada, ou seja, o adiamento da hora de pagar pela compra anestesia os consumidores contra o sofrimento de ter de desembolsar dinheiro. Por outro lado, a oferta de produtos nas lojas cresce exponencialmente e os preços de objetos do desejo que antes só eram acessíveis aos ricos, como os eletrodomésticos de luxo, não param de cair, e o crédito se torna cada vez mais fácil e elástico.

            Enfim, a maior oferta de produtos no mercado, somada à redução do tempo para absorver toda a informação disponível, causada pela correria da vida moderna, criou um consumidor ansioso, que nunca está satisfeito com o que tem e sempre está de olho no próximo lançamento. E esse olhar, esse desejo pelo mais novo item a ser comprado, transforma-o: de um ser com enorme vontade de satisfazer seus apetites de compra, a um ser por completo endividado.

 



* Bacharelanda em Economia pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença).