O Produto Interno Bruto de Valença
Anderson
Sandro de Oliveira*
José Carlos Pinho*
De acordo com os dados do tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, grande parte do PIB (tudo aquilo que se produz em lugar ao longo de um ano) de Valença é composto por rendas provenientes de aluguéis, correspondendo a aproximadamente 1/3 do total do município. Pressupõe-se que a falta de oportunidades no mercado de negócios estimule as pessoas a investirem neste modelo – por sinal, bastante rentável na cidade, influenciado pelo grande número de estudantes que necessitam residir no local e que inflaciona o mercado imobiliário. Outro ponto a ser destacado é o setor da construção civil, segundo item em importância na formação do PIB valenciano e, é o que parece, claramente vinculado ao aspecto anterior.
O grande dilema é que o somatório desses dois itens respondem por 45% de toda a riqueza produzida no município, o que se transforma em um enorme problema, visto que, são atividades que pouco contribuem para o crescimento econômico da cidade. Apenas para se ter uma idéia, um setor como a agropecuária – tradicionalmente ligado às atividades da economia de Valença – apresenta o índice irrisório de 5% do PIB, ao lado da indústria de transformação que responde por 11%.
Não fosse isso o suficiente, se observarmos toda a renda produzida no município e colocarmos ao lado de toda a receita, ou seja, todo o dinheiro que direta ou indiretamente a prefeitura possui para administrar a cidade, verificamos que os impostos e tributos gerados pelas atividades aqui instaladas quase nada contribuem para que Valença possa se manter: nada mais, nada menos que 81% de todo o dinheiro vem de transferências do governo estadual e do governo federal!
Em um bom português, enquanto as rendas da cidade saírem de aluguéis, as chances do município romperem o quadro de estagnação serão mínimas. Até lá, restará unicamente a espera de alguma verba pública a ser transferida pelo Palácio Guanabara ou pelo Palácio do Planalto.