Piraí: início e solução da crise por meio das
idéias
Tendo a vida local em órbita da empresa geradora de energia elétrica, o município de Piraí viu-se em maus lençóis quando esta foi privatizada em maio de 1996: hum mil e duzentos funcionários foram demitidos, promovendo um verdadeiro caos na economia, no dia-a-dia dos moradores e comerciantes locais. O município entrou em uma grave crise aparentemente sem saída.
Frente ao enorme problema, a prefeitura municipal
implementou um programa que visava a democratização do acesso aos meios de
informação e de comunicação à população, gerando oportunidades de
desenvolvimento econômico e social e ampliando os horizontes da cidade, o que
requereu uma modernização na administração tributária e na gestão dos setores
sociais básicos. Tais medidas fizeram transparecer as ações do poder público e
ampliaram a participação da sociedade nos processos de decisão na administração
municipal.
Por meio desse programa de desenvolvimento, a cidade construiu condomínios industriais e galpões que foram cedidos às empresas, que dessa forma não precisariam investir seu capital em instalações e, além disso, em parceria com o Governo do Estado, o município passou a conceder incentivos fiscais, como a redução do ISS (Imposto sobre Serviços de Quaisquer Natureza) e do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços). Esse conjunto de medidas resultaram na geração de uma quantidade de empregos idêntica àquela da época das demissões, além de promover um crescimento econômico da ordem de 220% no município em oito anos.
A contar daí a prefeitura local pode investir em diversas outras áreas, que vão da piscicultura à “inclusão digital”, tornando possível um município de pouco mais de 22 mil habitantes atingir um PIB (Produto Interno Bruto, ou seja, tudo aquilo que é produzido na cidade) de R$1.105.960,00 no ano de 2002 – dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para efeito de comparação, no mesmo ano Valença atingiu a marca de R$332.470,00 de PIB.
Tal questão nos leva a refletir que, para solucionar qualquer espécie de problema, torna-se necessário, antes de tudo, uma idéia ou conjunto de idéias, além é claro, da vontade de pô-las em prática.