O Secretário Estratégico
Clayre Montes[i]
Joaquim Vieira Ferreira Levy, o novo secretário da Fazenda do estado do Rio de Janeiro, é formado em Engenharia Naval pela UFRJ, com mestrado em economia pela FGV e doutorado pela Universidade de Chicago (EUA), com passagem pelo FMI , pelo Banco Central europeu, pelo Ministério da Fazenda e pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão durante o governo de FHC e ainda pelo Tesouro Nacional durante o primeiro mandato de Lula, sem esquecer a vice presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em Washington (EUA) – cargo que ocupou até novembro de 2006.
Considerado o “secretário estratégico” pelo governado Sérgio Cabral, Levy retorna ao Brasil como o secretário mais badalado do estado do Rio de Janeiro (sua volta ao Brasil para assumir a secretária da Fazenda envolveu o alto escalão da política brasileira negociando diretamente com o BID para a sua liberação). Levy recebeu das mãos do governador as chaves do cofre do estado e carta branca para colocar as contas em dia, e isso inclui uma dívida de R$ 40 bilhões do estado do RJ com a União e um caos financeiro provocado pela indisciplina e desorganização de governos anteriores, segundo estudo realizado pelo TCE-RJ em parceria com FGV.
Movido por desafios e considerado um trabalhador modelo, Levy já deixou claro que não veio a passeio. Pretende aumentar a receita estadual com o ICMS (Imposto sobre movimentação e circulação de mercadorias), reduzir gastos e acompanhar de perto a execução orçamentária dos próximos quatro anos. Para isso trabalhará em conjunto com as outras 18 secretárias, mas, principalmente com a Secretária de Planejamento.
Levy está consciente que o desafio é grande, mas ele é otimista e prevê um crescimento de 5% já para este ano. Para justificar essa perspectiva otimista, Levy baseia-se em dados sobre o estado. O Rio de Janeiro possui o segundo maior PIB do país (algo perto de R$247,7 bilhões, segundo dados de 2005). Esse valor é equivalente à 80 % do PIB da Venezuela. Além disso, o estado tem sido beneficiado por uma arrecadação extra de quase R$3 bilhões anuais por conta de royalties do petróleo.
Muitas das promessas eleitorais de Sérgio Cabral vão depender da competência de Levy, que abriu mão de uma carreira de visibilidade internacional, para embarcar e comandar até certo ponto um estado que perdeu o rumo. É esperar – e torcer – para ver.