De volta ao escambo!

Carlos Eduardo de Oliveira Silva*

                              

Em Valença uma novidade vem movimentando o comércio local, é o “Projeto Coroados”, exemplo do que é uma Economia Solidária, que tem como principais características a inexistência da relação empregado/patrão, o conhecimento sobre os segredos da produção, a valorização das relações de cooperação, a distribuição de renda, o fortalecimento do desenvolvimento local sustentável e o compromisso com a comunidade.  A implantação dessa economia em nossa cidade começou com incentivo ao Grupo Alternativo de Produção Solidária – o GAPS, formado por pessoas que produzem ou prestam serviços de forma solidária a fim de garantirem a sobrevivência através de trocas em feiras e mini-mercado.

O projeto está funcionando muito bem, pois tem um número crescente de participantes e freqüentadores, e funciona da seguinte maneira: os participantes assinam um termo de adesão e aceitam uma moeda social intitulada “coroados”, que estimula as trocas solidárias entre pessoas e grupos  sem intermediários, respeitando a idéia de um comércio ético, justo e principalmente solidário. O mini-mercado é espaço permanente, enquanto as feiras acontecem mensalmente.  Se analisarmos o fato da sociedade tender cada  vez mais ao capitalismo, é no mínimo estranha a idéia de um lugar  onde o papel moeda (dinheiro real) não é primordial, havendo maior valorização das relações humanas, por outro lado pode ser sinal de uma economia subdesenvolvida onde, sem dinheiro, as pessoas trocam alimentos e serviços básicos, tais como corte de cabelo, conserto e confecção de roupas e aulas particulares, pelo que melhor lhes convém dentro do que o outro tem a oferecer.

Uma coisa é certa. Sociedade economicamente equilibrada, com satisfatória distribuição de renda, não necessita de recursos como os expostos acima para garantir a sobrevivência de seus integrantes, pois os cidadãos têm em suas mãos capital, que lhes dá poder de compra. Quando o capital não existe, ou não é suficiente o que fica nas mãos da população é o poder de troca (escambo), poder este que está sendo cada vez mais usado, como uma válvula de escape, para  solução imediata de problemas que nem deveriam existir.

*Bacharelando em Economia pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença).