Os Estados Unidos, o Brasil e a Fome
Carlos Eduardo de Oliveira Silva[i]
Países ricos também sofrem problemas graves como quaisquer países em desenvolvimento - e um levantamento anual realizado nos Estados Unidos prova isso.
A economia de um país é avaliada de acordo com a sua produção, ou seja, quanto mais um país produz e exporta, melhor é a sua economia. O que não dá para se afirmar é que um país é perfeito quando sua economia é bem desenvolvida. Prova disso, é o resultado do levantamento feito recentemente pelo Departamento de Agricultura dos EUA, que mostra o surpreendente número de 35 milhões de norte-americanos passando fome a cada ano. Como se explica o fato do país líder do G8 (organização dos 7 países mais ricos do mundo mais a Rússia) ter um número tão elevado de pessoas abaixo da linha da pobreza? (Está abaixo da linha da pobreza nos Estados Unidos uma pessoa que sozinha ganhe no máximo 831,08 dólares por mês. Se esse valor for convertido em reais, parece mais que suficiente. Porém esses 831,08 dólares nos Estados Unidos equivalem a mais ou menos 80 reais no Brasil, fato explicado pelo auto custo de vida nas cidades norte-americanas).
Baseando-se nestes números, pode-se dizer que a qualidade de vida da população de um país não deve ser avaliada de acordo com sua economia. O que fica claro é que problemas como a fome, em qualquer país do mundo, não é algo diretamente resultante do poder econômico, ou seja, quanto mais rico, melhor será a vida de sua população, ou seja, uma ótima qualidade de vida.
Um outro exemplo nessa mesma linha de raciocínio pode ser observado em nossa terra. O Brasil é o país com a agricultura mais desenvolvida do mundo e líder na exportação de grãos; no entanto, tem o vergonhoso e desastroso número de aproximadamente 53 milhões de cidadãos passando fome ou com insuficiente número de refeições diárias.
No final das contas, tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos, a produção de riquezas ou de alimentos deveria ser acompanhada de uma distribuição de renda equilibrada, e isto subentende um trabalho árduo, num longo prazo. Por isso a hora de começar deve ser agora, antes que as conseqüências se tornem irreversíveis.
[i] Bacharelando em Economia pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença). Publicado originalmente em janeiro de 2007 no Jornal Local (Valença-RJ).