A Globalização em Questão: as formas de comunicação

Roberto Maia Santana[i]

 

O processo de globalização, no que diz respeito a expansão dos meios de comunicação, foi e ainda é um dos grandes avanços operados pelo homem, pois deu velocidade ao acesso às informações, diminuiu as distâncias entre as pessoas (que podem se comunicar com outras independentemente do lugar em que estejam), levou mais conhecimento e cultura às pessoas que, a partir daí, tiveram a possibilidade de se conectar com o mundo, mesmo que virtualmente, entre outras vantagens.

Porém, como todo processo, a globalização também tem falhas. O fato de que as pessoas possam conhecer outras culturas, possibilita comparações; o que nem sempre é bom, pois cria questionamentos acerca de si mesmo e sobre a cultura em que está inserido, ou seja, brotam insatisfações até então não observadas.

Um problema bem mais grave ocorre pelo “formato excludente do sistema”, ou, em termos distintos, para viver dentro de um mundo globalizado o indivíduo precisa possuir uma série de mecanismos e tecnologias, tais como computador, Internet etc., que determinam de uma forma ou de outra se alguém faz ou não parte do todo. Apenas para se ter uma idéia, recentemente foi publicada uma pesquisa constatando que somente 19% da população brasileira possui um computador na residência e apenas 14% acessa a Internet de casa. Assim, pode-se dizer que cerca de 150 milhões de brasileiros não estão plenamente inseridos em um mundo globalizado!

Frente a isso, é preciso um enorme cuidado quando tratamos de um assunto como globalização. Se, por um lado, o princípio geral é de transformar todas as pessoas em “iguais”, por outro, quando envolve itens como a tecnologia, pode significar também o aumento da desigualdade, seja pela comparação, seja pela exclusão pura e simples.

 



[i] Bacharelando em Economia pela FACEV/FAA (Faculdade de Ciências Econômicas de Valença). Publicado originalmente em janeiro de 2007 no Jornal Local (Valença-RJ).